O divórcio entre Lula e a Geração Z

( Imagem: ChatGPT ) 

• Por: Rodrigo Bueno – especialista em marketing político.

Existe um erro que pode custar caro na eleição de 2026: acreditar que a rejeição entre os jovens é apenas uma fase passageira. Os sinais indicam que o movimento pode ser mais estrutural do que momentâneo. O afastamento entre a política tradicional e a Geração Z vai além de direita ou esquerda. Trata-se de linguagem, percepção e conexão com a realidade.

Levantamento da AtlasIntel-Bloomberg aponta que 72% dos eleitores de 16 a 24 anos desaprovam o governo Lula, justamente a faixa etária historicamente mais receptiva aos discursos progressistas. O dado revela que a forma de fazer política já não conversa da mesma maneira com quem está chegando agora ao debate público.

A Geração Z não se conecta apenas com cargos. Se conecta com pessoas. Essa geração cresceu consumindo autenticidade em tempo real, acompanhando bastidores, criadores de conteúdo e discursos menos ensaiados. Para esses jovens, a autoridade institucional não garante confiança automática. O jovem de hoje não quer apenas ouvir promessas; quer entender se existe coerência entre discurso e prática, se há identificação humana e se aquele líder compreende as dores concretas da sua realidade.

A Gen Z é uma geração atravessada pela insegurança econômica, pela ansiedade coletiva e pela falta de perspectiva de futuro. São jovens que entraram na vida adulta em meio a crises econômicas, inflação alta, precarização do trabalho e pressão constante por desempenho. O debate sobre democracia e estabilidade institucional, embora importante, passa a dividir espaço com preocupações mais imediatas, como custo de vida, acesso ao mercado de trabalho e perspectiva de crescimento.

A saúde mental, inclusive, deixou de ser um tema periférico. Para essa geração, o bem-estar emocional também virou critério de avaliação política. Burnout, ansiedade e esgotamento não são vistos apenas como questões individuais, mas como reflexos de um modelo de vida que falhou em oferecer segurança e perspectiva. Governos passam a ser julgados também pela capacidade de criar um ambiente em que seja possível viver – e não apenas sobreviver.

Enquanto a política tradicional ainda tenta compreender esse novo comportamento, lideranças da direita se aproveitam desse vácuo e avançam com velocidade no ambiente digital. Onde existe uma comunicação mais direta, emocional e alinhada à dinâmica das redes sociais, se aproxima da forma como esse público consome conteúdo e constrói identificação.

Isso não significa que a Gen Z seja majoritariamente conservadora ou progressista. Significa que a conexão acontece menos pela ideologia e mais pela sensação de autenticidade. O desafio de 2026 não será apenas parecer jovem. Será construir identificação real com uma geração que valoriza coerência, proximidade e autenticidade. A política mudou porque o eleitor mudou.

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