“Das pinturas com luz às paisagens sonoras”, com curadoria de Felipe Scovino, reúne obras que investigam som, movimento, tempo e percepção por meio da pintura e da arte cinética
A Galeria Murilo Castro inaugura, no dia 23 de maio, a exposição “Das pinturas com luz às paisagens sonoras”, da artista argentina Mariana Villafañe, com curadoria de Felipe Scovino. A mostra marca a primeira individual da artista no Brasil e apresenta um panorama de pesquisas desenvolvidas nos últimos anos em torno da percepção, do movimento e da representação visual do som, reunindo pinturas e obras cinéticas. A visitação acontece de 25 de maio a 4 de julho, na galeria, em Belo Horizonte.
Com forte influência da arte cinética, do construtivismo latino-americano e dos escritos futuristas de Luigi Russolo, Villafañe constrói obras que transitam entre o campo visual e a experiência auditiva. Na série “Paisajes Audibles”, grandes composições geométricas sugerem ondas sonoras e paisagens em constante transformação, explorando a relação entre plano, vazio, movimento e espacialidade. Já em trabalhos como “Dinamismos” e “El Sonido del Tiempo”, a artista incorpora motores, luzes e estruturas programadas para investigar o tempo como matéria e experiência perceptiva.
“Essa exposição reúne diferentes investigações que venho desenvolvendo nos últimos anos em torno da percepção, do movimento e da representação visual do som. Meu trabalho nasce de um profundo interesse pelos fenômenos sensoriais e pela maneira como o corpo percebe o tempo, a luz e a vibração no espaço. Nas obras cinéticas e nas pinturas, procuro construir paisagens sonoras visuais, onde a matéria parece entrar em estado de ressonância. Muitas dessas pesquisas foram influenciadas pelos escritos futuristas de Luigi Russolo e pela ideia de que os ruídos fazem parte da experiência contemporânea e do nosso cotidiano perceptivo”, afirma a artista.
Segundo o curador Felipe Scovino, “Villafañe aproxima geometria, som, arquitetura e pintura em uma obra íntegra, porém esquiva porque está aberta, enquanto um jogo virtual, a especulações por parte do espectador. Não se tratam ‘apenas’ de pinturas, mas de paisagens que possuem um comprometimento com o som”, diz.
A mostra reúne diferentes séries produzidas entre 2018 e 2026, incluindo pinturas de grandes dimensões e trabalhos cinéticos como “Prototipo de experimentacion sonora”, nos quais motores e esferas metálicas produzem sons e movimentos contínuos, criando experiências imersivas para o público. Em obras como “Habitar la máquina”, a artista amplia a investigação sobre percepção ótica e espacialidade por meio de estruturas motorizadas e superfícies reflexivas.
“Tenho uma expectativa muito especial para essa exposição, porque é minha primeira individual no Brasil e sinto que existe uma conexão muito forte entre meu trabalho e a sensibilidade do público brasileiro. Também estou muito feliz com o diálogo construído com a galeria e com a curadoria, que trouxe novas leituras e aprofundou aspectos importantes da minha pesquisa, especialmente a relação entre vazio, tempo e percepção”, completa Villafañe.
A exposição conta, ainda, com as séries “Polifonias: Concierto para esferas metálicas”, “Tiempo de Retorno”, “Compás de espera” e “Distorsión envolvente”, ampliando a investigação de Mariana Villafañe sobre percepção, espacialidade, som, geometria e movimento por meio de pinturas, estruturas cinéticas e trabalhos que articulam luz, motores, espelhos, esferas e superfícies reflexivas.
Para Scovino, Villafañe “promove uma mudança na duração perceptiva, pois, de modo geral, quando realizamos a experiência de nos conectarmos à sua obra o tempo parece se dilatar. Voltamos as nossas atenções para uma indagação mais estendida e aprimorada sobre o que está diante de nós. E isso não é pouco em um mundo regido pela fugacidade e competição. As formas ilusórias e a vivência do tempo-duração de Villafañe tornam aparente a imprecisão sobre classificar as coisas e o quão diversa é a nossa experiência no mundo”.
Sobre a artista
Mariana Villafañe nasceu em Buenos Aires, em 1972, e vive e trabalha entre Buenos Aires e Madrid. Formada em Arquitetura pela Universidade de Buenos Aires (UBA) e em Artes Visuais pelo Instituto Universitario Nacional de Arte (IUNA), integrou o Programa de Artistas da Universidad Torcuato Di Tella e participou do Centro de Investigaciones Artísticas. Sua trajetória reúne exposições individuais e coletivas em cidades como Paris, São Paulo, Bogotá, Barcelona, Miami, Nova York, Berlim e Dubai. Entre suas mostras de destaque estão “Habitar la máquina” (2025), “Paisajes audibles” (2016) e “El centro en movimiento” (2018). A artista recebeu reconhecimentos como o Berlin Art Prize e o Premio Banco de la Provincia de Buenos Aires.
Serviço
Exposição “Das pinturas com luz às paisagens sonoras” – Mariana Villafañe
Curadoria: Felipe Scovino
Abertura: 23 de maio de 2026, das 11h às 14h.
Período de visitação: 25 de maio a 4 de julho de 2026
De segunda a sexta, das 10h às 19h. Sábados, das 10h às 14h
Local: Galeria Murilo Castro (Rua Saturno, 10 – Santa Lúcia – Belo Horizonte/MG)
Informações: (31) 3287-0110
Instagram: @galeriamurilocastro
Sobre a Galeria Murilo Castro
A Galeria Murilo Castro é uma galeria de arte contemporânea sediada em Belo Horizonte que promove novas ideias desde 2002. Por meio de exposições e da representação de artistas, destaca criadores estabelecidos, em meio de carreira e talentos emergentes que atuam local e internacionalmente.
Influentes em esferas culturais e políticas, os artistas representados pela galeria desenvolvem trabalhos multimídia e interdisciplinares que atravessam diferentes territórios e linguagens.
A galeria entende a prática artística como forma de pesquisa e produção de conhecimento. Além de seu programa de exposições e da participação em feiras de arte nacionais e internacionais, realiza também palestras e encontros que aproximam artistas, profissionais da arte e público interessado em aprender e colecionar arte contemporânea.